18 de jun de 2011

Nosso Tempo Digital leva história da fronteira para web

O Brasil enfrenta a ditadura militar. A população reivindica o fim do governo opressor, o fim da censura e a volta das liberdades civis. É nesse contexto que nasce o jornal Nosso Tempo. A primeira edição do semanário circula em 3 de dezembro de 1980, com uma corajosa capa denunciando a tortura em órgãos de segurança da cidade.

Durante grande parte da década de 1980, Nosso Tempo é o único jornal de uma região estratégica no contexto nacional. Cabe ao semanário registrar a história de Foz do Iguaçu, dos municípios do Oeste do Paraná, do Paraguai e da Argentina, os governos, as manifestações populares, as transformações da sociedade, enfim, o dia a dia de uma zona de conflitos constantes.

Trinta anos após a primeira edição, a quase centenária Foz do Iguaçu ganha um presente para a preservação da sua história. O acervo do jornal foi recuperado, digitalizado e publicado na internet. Agora será possível fazer uma releitura histórica visitando o site Nosso Tempo Digital, a ser lançado segunda-feira, 20, no salão de eventos do Hotel Foz do Iguaçu.

Além da apresentação do portal, será lançada uma exposição com a reprodução de 40 capas e páginas históricas do jornal. A edição retrata bandeiras levantadas por Nosso Tempo, como a luta para derrubar a ditadura no Brasil e no Paraguai, a liberdade de expressão, solidariedade aos árabes, Diretas Já, manifestações populares, e entrevistas com pioneiros.

O evento também pretende integrar gerações, fazer uma ponte entre quem viveu o extinto “nanico” da imprensa alternativa (personagens, editores, trabalhadores e apoiadores) e os moradores da cidade, como trabalhadores de diferentes áreas, estudantes, universitários, jornalistas, sindicalistas, e educadores. Tudo isso ao som da banda “Nem Pelé, Nem Maradona”, que conta com o talento de brasileiros e argentinos.

O projeto – A primeira etapa do projeto reúne as 387 edições de 1980 a 1989. Esse material estava disponível apenas em coleções particulares e na Biblioteca Municipal. O acervo, entretanto, tem se deteriorado com o tempo, correndo o risco de desaparecer com o passar dos anos. Já a segunda etapa do projeto, com a digitalização das edições de 1990 a 1994, será lançada no segundo semestre.

Assessoria

Nota do Editor: Aluizio Palmar (foto) é um dos desbravadores do Nosso Tempo. Ele é um dos principais jornalistas que lutou contra a opressão militar durante a ditadura no Brasil.

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