2 de ago de 2011

Aumento de vereadores: Bispo é contra e presidente do Conselho de Pastores é a favor

Para o bispo (em primeiro plano) "alguém terá que pagar a conta dos novos vereadores"


A poucos dias da audiência pública convocada para ouvir a população a respeito do projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal, que propõe o aumento de 15 para 21 o número de vereadores a partir da próxima legislatura, lideranças religiosas e a comunidade em geral começam a se posicionar sobre o tema. A audiência acontece às 19 horas desta sexta-feira (dia 5).

"Sou contrário ao aumento de vereadores na Câmara de Foz do Iguaçu, por entender que temos várias outras prioridades a serem atendidas pelos vereadores, que visam o bem de toda comunidade, como projetos para o crescimento e o desenvolvimento desta cidade, sendo desnecessária esta campanha para o aumento de vereadores", afirmou o bispo diocesano dom Dirceu Vegini.

O bispo acredita que o aumento no número de cadeiras poderá refletir em mais gastos no Legislativo Municipal. "Com certeza alguém terá que pagar a conta dos novos vereadores e seus assessores. Lembro, como foi citado na coletiva dada pelos organizadores deste manifesto, que para este ano o orçamento da Câmara é R$ 15 milhões, enquanto para a Secretaria de Desenvolvimento Socioeconômico, por exemplo, que trata de trazer indústrias e emprego, o orçamento é de R$ 1,3 milhão. Antes de um aumento de vereadores, que onerará mais ainda nossos munícipes, necessitamos de mais verbas para o desenvolvimento social", defende o líder católico.

A argumentação adotada por aqueles que são favoráveis ao aumento, a de maior representatividade, dom Dirceu opina: "pelo pouco tempo nesta cidade percebo que a população está bem representada pelos quinze vereadores já existentes. O que se faz necessário é um aperfeiçoamento do quadro de assessores para que, de fato, cumpram o seu papel em relação à comunidade e que se reveja o verdadeiro papel do Legislativo frente à população que representa".

Dom Dirceu enfatizou que a Igreja Católica apoia a campanha promovida pela ACIF, OAB e Iguassu Convention & Visitors Bureau, por entender que é "justa e condizente com a realidade desta cidade". A campanha a que o bispo se refere é a coleta de mais de nove mil assinaturas de iguaçuenses, para entrar com projeto de iniciativa popular, visando impedir que os vereadores votem qualquer projeto de aumento no número de vereadores, bem como para reduzir o limite de gastos do Legislativo, dos atuais 6% para somente 3% das receitas líquidas do Município. Além de manifestar o apoio, o bispo também se dispõe a ajudar na mobilização.

Já o guia religioso da Sociedade Beneficente Islâmica, xeque Mohamed Khalil, informou à reportagem da Gazeta do Iguaçu, por meio de sua assessoria, que mesmo em plena época de Ramadã, período sagrado destinado ao jejum e à oração, iniciada ontem pela manhã, vai estar presente, ou ao menos representado, na audiência. 

Pelo aumento 


Mas há entidades que se posicionam favoráveis ao aumento no número de vereadores, desde que os gastos se mantenham inalterados. É o caso do Conselho dos Pastores Evangélicos de Foz do Iguaçu – COPEFI. Segundo o presidente da entidade, Sadi Buzanello, a discussão ainda está sendo "amadurecida", mas, a princípio, os pastores são favoráveis ao aumento.

"Se tem um princípio de legalidade, ou seja, se a lei permite o aumento de vereadores, por que não discutir? Se não há aumento real de despesa, somos favoráveis à aprovação do aumento", revelou Buzanello. Sem querer entrar no mérito da quantidade desse aumento, se para 17, 19 ou 21 vereadores, a entidade defende maior representatividade popular, com um número maior de legisladores. "Somos favoráveis, a princípio, ao aumento, porque isso aumenta o controle social na cidade", frisou.

"Somos favoráveis porque isso aumenta o controle social na cidade" (Foto: Radio Cultura)

Apesar dessa postura, o COPEFI ainda pretende ampliar esse debate. "Após a audiência, queremos ouvir todas as versões, inclusive do próprio autor da lei, o vereador Mogênio", afirmou Buzanello, referindo-se ao vereador Hermógenes de Oliveira, autor do projeto que propõe o aumento para 21 vereadores.

Para o presidente do COPEFI, é preciso separar a discussão sobre aumento da representatividade da qualidade do político eleito. "A maioria é contra porque está só se fixando na imagem do mau político. Nós não. Estamos avaliando com prudência o seguinte: tem princípio legal? Tem. Tem aumento de despesa, que é uma outra discussão que está sendo feita? A princípio não. Até onde a gente sabe, não aumenta a despesa. Aumenta sim a liderança, o controle social, e por isso, a princípio, somos favoráveis", finalizou.


Monica Cristina - A Gazeta

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